Você tem clareza do que de fato deseja? Ainda lhe falta algo? O que você deseja alcançar?

Poderíamos ficar horas escrevendo uma enorme lista de desejos e metas como roteiro do ano inteiro, e não há nada de errado em fazermos isso. É necessário registrar e colocar foco naquilo que realmente pretendemos alcançar.

Antes de investir tempo no planner essencial para a motivação da nossa vida, ele também sugere uma organização para que não sejamos engolidos pelo tempo. Se você está curtindo as férias e ainda não produziu sua lista de desejos anual, antes é importante refletir.

Primeiramente, observo que existem três grupos distintos de pessoas.

No primeiro grupo, as pessoas iniciam o mês de janeiro muito animadas, é início de um ano novo, então se organizam e colocam-se a escrever seus desejos e metas, dedicam-se em todo o percurso para alcançá-las, esforçando-se a cada dia para que haja uma metanoia em suas crenças que as limitam. Possuem clareza e consciência de que as mudanças dependem exclusivamente de suas ações e que, para atingir o sucesso tão sonhado, sabem que é necessário esforço, persistência e hábitos que as levem a atingir as metas listadas.

O segundo grupo tem consciência da real necessidade de mudanças devido ao emaranhado em que se coloca. Nele há pessoas que também iniciam o ano com animação e esperança em que reviravoltas aconteçam. Fazem o registro e o seguem por um bom tempo, mas acabam desistindo no meio do percurso, ao primeiro obstáculo que se opõe, rendem-se às crenças que paralisam. Sabem que precisam de disciplina e foco, mas acham muito empenho prosseguir, cansam-se com facilidade, preferem a dor de permanecer como estão do que a dor que toda mudança provoca. Continuam na zona que lhe traz conforto pela “segurança” que esse lugar ilusoriamente dá. Colocam suas expectativas no outro, em que algo surpreendente aconteça ou apareça do nada, como uma cena de filme ou como o gênio da lâmpada, e lhe conceda os seus maiores desejos, trazendo a completude que tanto lhes falta. Algumas listas enumeram o grande sonho de realizar uma viagem ao exterior e calculam o valor que precisarão economizar mensalmente, mas não o praticam.

Vi recentemente, em um dos posts engraçados do Facebook, que retrata exatamente esse grupo de pessoas, que diz:

– Às vezes, eu só queria que alguém chegasse e me dissesse: “Você está precisando viajar… Vamos para Paris, eu pago tudo!”

O terceiro grupo realiza a lista pelo modismo de todo início de ano mas, dias ou meses depois, desiste com facilidade. Esse grupo é aquele que possui a grande chance de não lembrar o que de fato registrou na lista dos sonhos e muito menos onde a guardou. Nele estão aqueles que sempre pedem, registram as mesmas coisas e passam todos os anos com o mesmo discurso estagnado de sofredor, que enxergam dificuldade em tudo, mas que continuam à espera de um milagre, acreditando que Deus fará tudo, sem que precisem se esforçar.

Com qual desses grupos você se identifica?

Tudo que almejamos conquistar devemos iniciar com a motivação interna impulsionadora que nos leva à realização daquilo que de fato desejamos. Se apresentamos o desejo, é porque algo nos falta, essa manifestação é intrinsecamente humana, pois sempre existirá essa incompletude que insiste em habitar em nós. Conscientemente, quando internalizamos esse fato, é possível baixar a ansiedade da vida e das nossas enormes listas de desejos.

Em busca da completude, passamos a comprar ou nos alimentar compulsivamente, para recobrar essa falta, de que nem temos clareza exata. Temos inclusive dificuldade para dizer ou lembrar se realmente queremos aquilo que registramos como desejo. Sentimos a falta como algo que precisamos ansiosamente controlar e solucionar, temos grande dificuldade de refletir sobre os gatilhos acessados e como podemos revertê-la em ações motivadoras, as quais também fazem parte da nossa essência.

Talvez você esteja achando sem nexo, como assim, uma falta em nós ou para nós, poderia nos motivar?

Posso lembrar-me dos períodos de infância, quando não tínhamos recursos e dentre as muitas faltas existentes, aprendemos a usá-las como oportunidades para criação, essencialmente quando queríamos brincar e não tínhamos brinquedo. Pulávamos tábua, elástico, construíamos carrinhos de rolimã, bolas com meias velhas e outras parafernalhas que  eram usadas durante a  invenção. Era incrível utilizar esmaltes da mãe e pintar todo o corpo de bonecas, simulando um atendimento médico, sem sentir a falta da maletinha médica de brinquedo. A imaginação era aflorada e a diversão, garantida.

Quantas aprendizagens criativas foram utilizadas para suprir a falta de brinquedos que poderiam estar na lista de desejos de toda criança, mas que nossos pais, mesmo que desejassem, não poderiam nos dar. Quantas receitas maravilhosas foram inventadas na falta de algum ingrediente, e outros misturados para surgir o alimento…

Independentemente do tipo de falta, se for a que nos impulsiona a criar, é sempre inspiradora! Isso é válido tanto para o nosso mundo externo quanto ao que em nós reside. A falta não deve nos paralisar a ponto de causar insatisfação pela própria vida por não adquirirmos alguns itens da lista desejada. As mídias rotineiramente apresentam inúmeros cenários com possibilidades de escolha para que possamos, de qualquer forma, obter o que pensamos precisar.

O primeiro grupo é centrado e tranquilo, e vê o sucesso como resultado de seu empenho e merecimento. O segundo grupo citado é aquele que não faz reflexão com o que de fato deseja, pois é composto de membros de carteirinha da lei do pouco esforço, assemelham-se facilmente aos adjetivos do personagem Garfield, que só come e dorme, é mal-humorado e preguiçoso. São aqueles que procrastinam, nunca fazem hoje, se podem deixar para amanhã, buscam respostas para a tomada de direção na vida. Pagam a terapeutas para responsabilizá-los pela solução dos seus conflitos, como se pudessem prescrever uma pílula de esquecimento para que não apresentem nenhum sintoma de desconforto emocional, como se todas as pessoas fossem felizes como às daquele comercial de margarina.

O terceiro grupo segue o fluxo da vida e anda conforme o movimento a que está habituado, mesmo sendo infeliz. São pessoas que acreditam que, um dia, as coisas mudam para eles, e repetem tudo, como sempre. São aqueles que acreditam em conto de fadas, esperando que um dia seu príncipe encantado virá num cavalo branco e baterá à sua porta. Diferentemente do segundo grupo, acreditam que terapeutas são desnecessários. É o grupo do “deixe a vida me levar, vida leva eu”. Segundo Albert Einstein, “loucura é querer resultados diferentes, fazendo tudo exatamente igual”.

As faltas existenciais não podem ser iludidas com coisas ou pessoas, a mudança de mente é essencial para olharmos a vida sob outro prisma e com mais leveza.

A busca pelo preenchimento dessa lacuna traz a possibilidade de acesso à sua espiritualidade, que produz o sentimento de tornar-se grato simplesmente por viver. Não significa termos de eliminar ou excluir as listas anuais e diárias, e não elencar mais nenhum plano, mas sim fazê-las com mais gratidão por aquilo que já conquistamos e principalmente deixar de fixar nossos pensamentos só naquilo que nos falta.

Quando Deus ou o Universo, como você preferir chamar – prefiro chamar de Deus –, disponibilizar a resposta às suas buscas, não tenha medo de sair da zona de conforto e se permitir entrar numa nova fase de alegria e, ao mesmo tempo, crise, que acontece simultaneamente. Tudo o que muda em nossa vida gera desconforto, mesmo que seja algo que tanto desejamos. Haverá dúvida acompanhada de medo. É nesses momentos que vencemos a nós mesmos.

A nova rota, os sonhos, as novas metas sempre serão importantes, só tenha cuidado para não perder a simplicidade da beleza que há na vida, que sempre surge das pequenas coisas.

Fique atento para não se tornar obcecado e infeliz na compulsão para ter ou ser.

Existe um grande número de pessoas que fazem compras compulsivamente e adquirem grandes dívidas, para encobrir suas faltas. Mas são completamente inseguras para investir em terapias por considerá-las supérfluas e caras demais. Insistem em camuflar o medo e se reconectar consigo mesmas. Acumulam em seus closets centenas de pares de sapato, guardam roupas com etiquetas, sem saber o real motivo de comprar tais peças, que nunca chegou a usar. Escondem suas compras, suas decepções, seus medos, seus traumas e enganam-se a si mesmas. Preferem permanecer na dor conhecida a enfrentar a dor da mudança.

Reflita a respeito, faça planos, estabeleça prioridades, sonhe, deseje, foque, busque, alcance e conquiste. Sim, não pare de buscar o seu propósito, não desista dos seus sonhos. Continue a listar o que deseja, mas fique atento para que sua felicidade não dependa exclusivamente da busca pela completude. Autorize-se a procurar ajuda profissional, comece a investir em você e descubra-se.

A solução está no lado de dentro, e não de fora, o que tanto precisa não está nas coisas, naquela viagem, na casa dos sonhos, no carro do ano, no novo cargo, não está daqui a um ano ou cinco anos, nem quando se aposentar, ela está em todo o percurso de sua vida, no íntimo do seu ser. Retire-se da agitação, do barulho externo, para aquietar o outro barulho existente em você e refletir sobre o que realmente precisa, com certeza isso já será um refrigério para sua alma.

Deus, todos os dias, tem suprido todas as suas necessidades. Simplesmente agradeça-Lhe, porque se assim fizer, tudo fluirá, sem sofrimento, e levemente chegará até você. Simples assim!

Acesse o seu Criador e descubra sua real identidade e quem Ele a designou para ser pois, até mesmo recebendo o dom da fé, sabemos que a falta persiste em nós, pois não fomos projetados para a incompletude da vida.

Temos total liberdade para escolher como queremos viver todos os nossos dias sobre a terra. Não perca a beleza de sua estadia.

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Aleksandr Davydov/123RF Imagens.

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