O músico Diego Zakarias da Silva, mais conhecido como DJ Pelé, alega ter sofrido racismo no Rio de Janeiro (RJ), nessa segunda-feira (27). Segundo o artista, um motorista do aplicativo Uber desistiu de terminar a corrida no meio da Linha Amarela, uma importante avenida da capital, por achar que o DJ iria assaltá-lo. A Uber lamentou o episódio e já o desligou (confira a nota na íntegra ao fim da matéria).

“Pedi um Uber na casa da minha mãe no, Engenho Novo, até a rua das boates com uma parada no Meier para deixar minha prima”, começa o DJ. Ele afirma que assim que saiu do prédio da mãe e entrou no veículo, o motorista, que também é negro, já teria “olhado estranho”.

“Inventou que tinha que abastecer e disse que não poderia prosseguir com a viagem pois achava a Barra perigosa, ainda mais na rua das boates. [Eu] Disse que não, pois minha prima estava comigo e não poderia ficar na rua e eu tinha que trabalhar. Ele perguntou se tinha como comprovar que eu iria trabalhar. Com muito custo ele deixou minha prima no Meier e seguiu para me deixar”, continua.

“Me deixaram em casa de viatura”

Durante o trajeto, o DJ relata que ser produtor ligou e disse que o baile foi cancelado. “Falei então que iria para casa. Alterei o destino para minha casa aqui na Barra. Ele simplesmente achou que eu iria assaltá-lo. Parou o veículo no meio da Linha Amarela em frente uma viatura e foi falar com os policiais. Falou que estava com medo de ser assaltado e não iria prosseguir com a viagem”, explica o DJ.

Ainda segundo o Pelé, o policial teve uma abordagem tranquila. “Perguntou o que estava acontecendo e eu expliquei tudo. O policial também ficou indignado com isso, mas não poderia fazer nada”.

O artista explica que a corrida tinha o valor total de R$ 56, sendo que até o meio da Linha Amarela teria dado R$ 40. “Paguei e os policiais me deixaram em casa de viatura. Em pleno 2020 o preconceito toma conta de nós. Motorista negro com medo que outro negro o assalte. E detalhe: nenhum dos lugares era comunidade. Lamentável”, completa.

Uber desliga motorista

Por nota, a Uber lamentou “a experiência pela qual o usuário passou” na plataforma. A empresa ainda afirmou que “não tolera qualquer forma de discriminação” e que assim que souberam do incidente, desativaram o motorista da plataforma. “A empresa está à disposição para colaborar com as autoridades responsáveis para investigação do caso, nos termos da lei”, diz.

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